sábado, 10 de junho de 2017

LIVROS NA FEIRA - 10 OBRAS DE NÃO FICÇÃO


Aí está a Feira do Livro de Lisboa (e em Coimbra a chamada Feira Cultural, que substituiu uma verdadeira Feira do Livro, revelando a enorme fragilidade do sector da cultura da Câmara de Coimbra. Escolhi uma lista de 10 livros de não ficção que podem ser encontrados na Feira (na de Lisboa de certeza, na de Coimbra é preciso ter sorte). A ordem é alfabética do apelido do autor:


- Almeida, Onésimo, Teotónio,  A Obsessão da Portugalidade, Identidade, Língua, Saudade e Valores, Quetzal, 2017.

Onésimo Almeida, professor de Filosofia da Universidade Brown, vê muito bem Portugal ao longe. esta é um repositório de textos seus sobre a portugalidade. O que é ser português? DE onde vimos? para onde vamos?  O autor tenta introduzir alguma racionalidade num campo minado pela confusão. É conhecida a polémica entre Teixeira de Pascoaes e António Sérgio sobre a "arte de ser português". Almeida está do lado de Sérgio contra alguns delírios da imaginação.

- Galfard, Christophe, O Universo ao alcance da mão. Uma viagem pelo espaço, tempo e mais além, Relógio d'Água, 2017.

Estudante de Stephen Hawking na Universidade de Cambridge, Galfard leva-nos numa viagem actualizada pelos mistérios do espaço e do tempo, uma narrativa que nos é servida pela muito boa tradução de Miguel Serras Pereira. O estilo é despretensioso, conduzindo o leitor ao conhecimento científico mais recente sobre o cosmos que habitamos.  É o número 39 da colecção de Ciência da Relógio d´Água.


- Harari, Yuval Noah, Homo Deus. História Breve doa Amanhã, Elsinore, 2017.

Este é um dos livros do ano em Portugal. Depois do grande êxito  de sapiens: História Breve da Humanidade, o historiador israelita Harari, traça-nos a história do nosso eventual futuro ("furtando" o subtítulo de "História do Futuro" ao Padre António Vieira). As perspectivas não são brilhantes: podemos estar condenados a dar o lugar a robôs. para ler e reflectir.


- Kaku, Michio, Hiperespaço, Bizâncio, 2016.

O subtítulo deste livro de um físico e divulgador americano de origem japonesa é "Uma odisseia científica através de universos paralelos, de dobras temporais e da 10.ª dimensão". Soma-se a outros títulos deste autor que fornecem uma excelente introdução a algumas das teorias mais exóticas da física contemporãnea.

- Krauss, Lawrence M., Um Universo vindo do Nada, Porque há algo em vez do nada? Gradiva, 2017

Outro candidato a livro do ano de não-ficção em Portugal, esta obra de um conhecido astrofísico e divulgador científico americano propõe a tese de que o Universo se criou a si próprio a partir do nada por uma flutuação quântica do vácuo que é natural e espontânea. A tese tem, segundo alguns, implicações teológicas. É o caso do ateu confesso Richard Dawkins, que fez um posfácio. É o n.º 218 da colecção Ciência Aberta, que tenho a honra de dirigir.

- Naves, Filomena e Firmino, Teresa, Por que é que as bailarinas não ficam coma  cabeça a andar à rida? ... E outras 59 perguntas sobre o cérebro e o seu funcionamento, A Esfera dos Livros, 2016

Este é é o segundo livro deste par de autoras, que já tinham escrito no mesmo formato "Por que choramos quando cortamos uma cebola?" Trata-se de um conjunto de perguntas e respostas sobre temas de neurociências  da pena de duas das melhores jornalistas de ciência em Portugal, uma do DN e outra do Público. pela minha parte, gosto destes livros de perguntas e respostas, escritos para o público em geral, mas que ajudam aqueles que como eu só sabem responder a certas questões e não a outras.

- Ordine, Nuccio, A utilidade do inútil, manifesto,  Ágora K, 2016,.

Um professor universitário italiano defende a utilidade das Humanidades, nesta tradução que surge num ramo da editora  Kalandraka, especialista em livros infantis. Lê-se muito bem e, no final, não podemos de deixar de concordar com o autor. Neste tempo em que a tecnologia impera é bom atentar na perenidade do saber "inútil"b que nos foi legado por filósofos e literatos.


- Real,  Miguel, Traços fundamentais da cultura portuguesa, Planeta, 2017.

O professor de Filosofia, escritor e crítico literário Miguel Real é quem , entre nós, mais escreveu sobre a cultura portuguesa. Mas o que é essa cultura?  Com prefácio de José Eduardo Franco, outro grande estudioso da cultura portuguesa, esta é uma reflexão que vale a pena ler, juntando-se a outras do autor.

- Suits, Bernard, A Cigarra Filosófica. A vida é um jogo?, Gradiva,  2017.

Ete o número 29 da colecção "Filosofia Aberta". da autoria de um filósofo canadiano, trata do jogo, uma grande metáfora da vida, já tratada por Huizinga mas  um tema inesgotável. este é um livro sobre a natureza dos jogos e, portanto, sobre o sentido da vida.

-  Tetlock, Philip e Gardner, Dan, Superprevisopres, A arte e a ciência da previsão, Gradiva, 2016.

O primeiro autor, professor norte-americano de Psicologia Social, esteve em Portugal em Novembro passado a convite da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Ele concebeu uma maneira muito interessante de saber o futuro: treinar pessoas comuns com os dotes de "adivinhação" que a racionalidade permite sustentar. Os seus superprevisores, embora com informação pública, conseguem bater os analistas dos melhores serviços de informação americanos! Bem escrito, lê-se de uma assentada.


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